6h15 da manhã...
O coração da cidade já pulsa acelerado.
Transeuntes autômatos se dirigem aos seus destinos e eu sou mais um na multidão. Pessoas se acotovelam na disputa por um espaço na composição do trem que já dá sinal de partida.
Espremido entre as pessoas e no chacoalhar do trem, percebo que, ao contrário dos demais, não me sinto como um boi ao matadouro, pois apesar de tudo cada manhã é única e traz consigo a certeza do recomeço.
Sinto-me cansado, não pela rotina, mas por querer resistir ao limite de meu corpo, que teima em denunciar os sinais do tempo. Solidarizo-me com os demais passageiros e em atenção às suas mazelas sorrio e aceno cada vez que alguém me encara com o firme desejo de desistir. O chacoalhar continua e eu penso em meus amigos, muitos por sinal, que colecionei pela vida toda. Talvez eu os tenha como amigos pelo fato de ser uma pessoa alegre, extrovertida e extremamente solidária. É o que dizem de mim os que me conhecem e eu acredito, pois capto que, de uma maneira consistente, os deixo à vontade quando da minha presença. Amo a vida e os que me cercam. Sei das dificuldades de se embarcar num trem ou em outro coletivo qualquer mas a vantagem de se viajar cotidianamente com todas essas pessoas é que se acaba criando um elo de familiaridade que nos impulsiona e não nos permite debandar. É o que penso. A cada parada dirijo meu olhar para quem vai desembarcar e tento encorajá-lo a encarar essa trajetória de modo diferente, onde se possa tirar proveito. Uma curva mais acentuada arruma a disposição dos passageiros de pé, alguns poucos, e eu reflito em relação aos meus familiares, que me são muito queridos. Família é sagrada, não se pode macular.
Faz frio e penso que o amor entre as pessoas esfriou um pouco, cada qual pensa em seus próprios interesses e perde a oportunidade de experimentar a troca, o amor fraterno. Não entendo o que acontece com a maioria delas, pois mesmo um trem abarrotado de gente descrente da vida não é suficiente para me fazer também descrente do amor entre elas. Apesar de todas essas contrariedades, creio no amor e amo intensamente a vida e os seres da criação divina. O trem chacoalha nos trilhos e chacoalha minhas lembranças que me dá a certeza de, apesar de todas as intempéries, sou extremamente feliz e gostaria de contagiar a todos quantos cruzassem meu caminho...
08h45...
É a minha vez de desembarcar, caminhar até o meu trabalho e contagiar os demais funcionários com meu melhor BOM DIA!
Por Thiago Oliveira











